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Adolescentes e tecnologia

Por um lado, esse mundo moderno e tecnológico nos trouxe muitos benefícios, por outro, acaba afastando pessoas das quais convivemos no dia a dia. Seu filho adolescente passa muito tempo em redes sociais? Veja de que forma você pode ajudá-lo.

A invasão da internet na vida das pessoas foi de forma tão repentina, que não houve tempo de criar regras que limitasse o seu uso. E assim surgiu um dos maiores desafios dos pais: – Como inserir o convívio familiar diante do mundo com internet?

Sendo assim, quero que você pare e responda honestamente estas perguntas que vou fazer agora:

  • O que você acredita que está ensinando ao seu filho, quando no seu tempo livre, fica mais no celular do que conversando com os membros da sua família?
  • Quais exemplos quanto ao uso da internet você tem passado para seu filho adolescente?
  • Você tem conversado mais com seus amigos pelo whatsapp ou encontrado com eles pessoalmente?
  • Eles têm frequentando a sua casa? E você, frequenta a deles? Ou está cercada de amizades virtuais?

Entende onde quero chegar? Com a correria do dia a dia não percebemos que nós também estamos sendo engolidas pelas facilidades que a tecnologia nos proporciona, e consequentemente, nos esquecendo de viver presencialmente nossas relações. Lembre-se que somos exemplo para os nossos filhos, sendo assim, como podemos exigir algo deles que nem nós mesmos fazemos?

Sim, eu sei! É uma delícia ficar na internet, encontrar nossos amigos “das antigas” nas redes sociais, conversar com aquele conhecido do outro lado do mundo, como se ele estivesse aqui! Convenhamos que esse mundo da internet ainda é novidade para alguns de nós, mas estamos sabendo medir o uso? Estamos realmente nos conectando ou desconectando das pessoas, principalmente as que estão ao nosso redor?

Os adolescentes de hoje, nascidos entre 1999 e 2005, são nativos digitais, não conheceram e, muitas vezes, nem conseguem imaginar o mundo sem internet. Cabe primeiramente aos pais, apresentar a essa geração os benefícios de um abraço apertado, de uma roda de conversa entre amigos, dos almoços e jantares em família ou com os amigos, do contato pele a pele, olho no olho…mostrar um pouco mais do mundo fora da internet.

Uma vez que os pais são os agentes centrais de transformação e de referência de habilidades sociais, são eles que arquitetam e administram o meio de desenvolvimento de seus filhos. Uma das maiores empreitadas de ser pai é a criação do espaço e de situações nas quais os filhos possam aprender, distinguir e apreciar condutas e aptidões sociais adequadas.

Mas então, o que os pais precisam fazer?

Eu poderia dar dicas como: limitar ao uso de celular aos fins de semana; ter apenas uma smart TV em casa, na sala, para que os adolescentes aprendam a dividir e conviver com a escolha do outro; não permitir o uso de celular e computador no quarto e apenas na sala onde podemos dar aquela olhadinha neles… São muitas as dicas e orientações que vemos por ai.

Mas o que vai te ajudar de verdade a tomar suas decisões é identificar:

Quais valores você quer passar para os seus filhos quanto ao uso desta tecnologia? Como você realmente desejaria passar seus aprendizados para ele?

Uma das principais características resultantes do avanço da tecnologia midiática na comunicação humana são as relações virtuais estabelecidas por seus usuários. Essas são relações que se configuram entre pessoas que não estabelecem um contato físico e que não necessariamente precisam ter se conhecido previamente para dar início a uma interação.

O panorama no século XXI marcado pelo avanço das tecnologias tem mostrado um futuro preocupante e incerto das relações, a tendência das pessoas em se relacionar mais por meio de aparelhos eletrônicos é maior que pessoalmente. Nesse sentido, as relações entre as pessoas estão cada vez mais vulneráveis e a realidade do mundo virtual proporciona a escolha de novos amigos, novos amores e novas experiências num simples “clique” do computador.

As relações saudáveis são fundamentais para a saúde física e emocional do ser humano. Uma pesquisa feita em 2010 comprova que a solidão e ausência de vínculo social, está igualmente comparada ao fumo em excesso, quando se refere ao aumento de chance de mortalidade. É um aumento em 50% na taxa dessa mortalidade. O excesso de bebida alcoólica aumenta em 30%, a obesidade em 20% e a poluição em 5%. Assustador, não é mesmo?

Minha sugestão:

Sei que você está lendo esse texto para entender mais sobre como pode ajudar o seu filho a não se desconectar de você. Mas, agora, vai lá…. larga esse tablet, computador, celular, ou o que quer que esteja usando para ler este artigo… e dá um abraço apertado no seu filho?

Fiquem atentos aos seus filhos, converse mais, toque mais! Preze por momentos de contato olho no olho, escute seu filho de verdade, oriente, e esteja disposto a acolher, sempre que ele precisar.

Sobre o Autor
  • Renata Lott

    Psicóloga há mais de 15 anos, formada em ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso), Coaching Psychologist, Renata é também, uma das fundadoras do Acompanhar - Núcleo de Acompanhamento à Criança e ao Adolescente e responsável pelo canal Adolescer no Psico.Club  da Academia do Psicólogo.

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