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Corpo e mente unidos na brincadeira

Ao imitar, a criança é capaz de reproduzir aquilo que observou e guardou em sua memória. Muitas vezes, neste simples brincar - de mímica, por exemplo - percebemos o quanto é rico este olhar, pois as crianças costumam nos mostrar detalhes que até para nós adultos passaram despercebidos. Vale lembrar que o processo de imitação ocorre a todo instante, não especificamente no brincar, mas especialmente nas nossas ações.

A observação é algo que faz parte da natureza humana. É fato que, ao longo da vida, especialmente conforme avança a tecnologia, perdemos nossa capacidade de atentar-nos aos detalhes, de ver o que nos rodeia com atenção. Está aí uma oportunidade maravilhosa para nós adultos, em retomar este hábito, que sem dúvida nos traria grandes benefícios.

Ao brincar de imitar, por exemplo, a criança é capaz de reproduzir aquilo que observou e guardou em sua memória. Muitas vezes, neste simples brincar, percebemos o quanto é rico este olhar, pois as crianças costumam nos mostrar detalhes que até para nós adultos passaram despercebidos.

Cabe relembrar que o processo de imitação ocorre a todo o instante, não especificamente no brincar. As crianças costumam imitar seus pais e outros adultos com quem convivem com frequência, por isso que as palavras e sermões nem sempre tem o mesmo valor do que um bom exemplo. Se você costuma jogar o lixo na lixeira é bem provável que seu filho, ao observar sua atitude, vá fazer o mesmo, imitando-o. São ações pertinentes ao crescimento infantil e que podem ser utilizadas para o bem. Particularmente gosto da ideia de que nossos filhos são nossos espelhos, se você não está gostando das atitudes da sua criança, sugiro com veemência que reflita sobre as suas, crianças são ótimos imitadoras!

Voltando ao brincar, lembre do filme que assistiram juntos, da história lida, daquele dia em que visitaram um sítio ou parque qualquer. Vamos relembrar elementos daquele momento? E se transformarmos este brincar num jogo de imitação, fazendo mímicas? Ainda mais habilidades sendo desenvolvidas, além da memória, raciocínio e expressão corporal. Ou simplesmente, parta da proposta principal: vamos imitar os animais que vimos no zoológico? Coloque-se ao chão, rasteje, pule, uive, urre, ruja!

Voltemos a abordar a fase antes deste brincar. Muitos pais e educadores preocupam-se em estimular a criança adequadamente, em encher os espaços com brinquedos, cores, enfim. Percebe-se, porém, que não seria esta a peça chave do desenvolvimento integral saudável dos pequenos. Acredito, pessoalmente, que o segredo desta receita é tempo. Oportunidade, liberdade, convivência, investigação, tentativas, ócio. As crianças precisam criar reflexões advindas de suas próprias pesquisas, e estas precisam ser ativas. Não é significativo trazer-lhe respostas prontas, é necessário que haja o incentivo para que ela se sinta protagonista, valorizada, em ação!  Dentro deste contexto é que fica claro o quanto estas brincadeiras simples e sem materiais são importantes já que diversas habilidades distintas são utilizadas.

Outra questão relevante nesse tipo de brincadeira é a linguagem corporal. Nesta linguagem a pessoa vai se descobrindo e se tornando mais consciente do seu corpo e de suas capacidades, afinal somos corpo, mente e espírito, somos afetivos, cognitivos e motores, para estarmos bem equilibrados integralmente.  A consciente utilização de seu corpo, naquele espaço, através do movimento dos seus membros, desenvolve oportunidade de exploração do mundo, estabelecendo relações consigo e com o meio, descobrindo a si mesmo de forma lúdica. Desde que nascemos usamos esta linguagem para mostrar nossas emoções e sentimentos.

Um bebê que franze sua testa ao chorar, que contorce o abdômen em crises de cólica, as tentativas de pegar as coisas com as mãos, os olhares atentos aos ruídos, desde tão pequenos o nosso corpo é expressão de quem somos e o que sentimos. O corpo é instrumento que necessita de aprimoramento, e tais brincadeiras em que o exploramos com intensidade auxilia no processo de aquisição de conhecimento. O que seria da alfabetização sem a maturidade da coordenação visomotora (quando há um movimento de membros mediante estímulo visual, como quando traçamos uma linha, em que ao mesmo tempo utilizamos mão e braço acompanhamos com o olhar)?

Já existem nas lojas de brinquedos diversas opções de jogos de cartas e tabuleiro cuja essência se encontra no simples brincar de mímica ou imitação. Um específico, sucesso de vendas, até troca a mímica pelo desenho, partindo da reflexão da memória da imagem. Também é válido, especialmente para crianças maiores, que é um sucesso, já que o ato de desenhar costuma ser muito divertido para as mesmas (e desafiador/libertador também, pois é comum que a barreira do “não sei desenhar” exista e precise de ajuda para ser derrubada)!

Por fim, entenda que este brincar pouco depende de preparação ou objetos, afinal na sua forma básica nem precisa de material algum. Se quiser inovar, ótimo! Para os menores, pesquisem fotos na internet (ou se possível tirem juntos essas fotos). Crie as regras do jogo para aquele momento, será só a mímica ou vale imitar, utilizando de sons também? E aproveite!

Em resumo:

Brincar de mímica e imitação são ótimas formas de desenvolver corpo e mente, através da memória, raciocínio, expressão corporal, linguagem oral, etc.

A brincadeira pode ser renovada, inovada, inventada! Deixe fluir a criatividade e junto com a criança escolham novas maneiras para a diversão. Deixe os pré-julgamentos de lado, não tenha medo e aproveite.

Sobre o Autor
  • Samanta Sievers

    Samanta é mãe de duas meninas, pedagoga, professora de Educação Infantil, apaixonada pelo universo brincante e idealizadora da página Brincando+ no Facebook, e no Instagram @brincandomais.

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