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O brincar ao ar livre

Com o passar dos anos, as brincadeiras "de antigamente" estão sendo esquecidas, principalmente por falta de espaço e a correria do dia a dia. Por isso, trouxemos ideias simples e divertidas para você que quer se divertir com as crianças, em céu aberto!

Papais, mamães, avós, professores… lembram da sua infância, quando ainda não havia tecnologia tão avançada e brincávamos muito ao ar livre? Era tão bom, saudável, libertador! E nos traz lembranças agradáveis, não é mesmo?! Pois bem, vou te trazer uma questão que pode até parecer meio chocante, mas é verdadeira.

Você sabia que há pesquisas que afirmam que presidiários passam mais tempo ao ar livre do que mais da metade das crianças? Diante desta desconcertante afirmação, é provável que elenquemos a falta de segurança e a preferência dos pequenos pela tecnologia como possíveis fatores que afetariam a realidade da atual infância.

Em contrapartida, ao invés de buscar uma justificativa sejamos honestos: a cada dia nos deparamos mais frequentemente com transtornos que comprometem a atenção, que acarretam em hiperatividade, dificuldades de aprendizagem, incapacidade de concentração. Além disso, a obesidade infantil atinge níveis alarmantes, decorrentes também, é claro, de uma alimentação ruim, mas especialmente de um sedentarismo recorde.

Não almejo abordar os problemas deste tema, mas sim pensar de forma otimista e em maneiras reais de amenizar esta questão. As pessoas que moram em casas já tem um ponto a seu favor. A quem mora em apartamento: em algum lugar da sua cidade deve haver um parque, uma área de recreação, uma praça, um gramado… Encontrar o local é o ponto de partida! Criar o hábito de estar neste espaço, considerando a rotina da família, também. Diariamente é possível? Provavelmente não! Então sejamos realistas, será que uma vez por semana dá?

A criança é um ser do presente, ela vive no aqui e agora, mediante as interações que tem com o espaço em que está e com as pessoas que estão com ela. Portanto, não se aflija caso não tenha um extenso repertório brincante. Lembre-se das suas brincadeiras de infância… quem nunca brincou de elefante colorido, siga o mestre, estátua, passa anel? Corra, vire cambalhotas, salte com a criança! Pule corda, elástico, obstáculos, amarelinha, bolhas de sabão, soltar pipa, ou o que for. Conecte-se com a textura da terra, da areia, da água que houver ali. Interaja com os elementos da natureza que os rodeiam!

Pensemos na prática…

Uma brincadeira simples e adaptável a várias idades: a “caça ao tesouro”! Para crianças menores de 3 anos, que tal propor que procurem cores diferenciadas nas plantas e outros elementos naturais? Seja o amarelo de um girassol, o verde das folhas, o marrom das pedras, o preto da formiguinha… deixe que a criança explore o espaço, observe-o também, interagindo. Faça você também parte desta caçada. Quando ela te chamar, não hesite: corra, vá desfrutar daquele tesouro!

Para crianças maiores, é possível criar uma lista de palavras com itens a serem encontrados. Pedras pequenas, flores vermelhas, gravetos com mais de 30cm, enfim, conforme o espaço e sua imaginação puderem criar! Caso seja possível, tente fazer este tipo de brincadeira também a noite, com lanternas. Cuidado por onde andam e tenham uma boa jornada!

Caso sinta-se desconfortável, especialmente pelos possíveis olhares alheios no espaço público, tente primeiramente permanecer sentado próximo à criança, conversando e olhando em volta, observando o céu, as nuvens e inventando histórias para os mais variados desenhos que nelas surgem. Quem sabe observar as montanhas ou folhas e gravetos ao chão, será que se parecem a algum animal ou objeto? Esta brincadeira chama-se “olhos de águia”, muito comum em tribos indígenas norte-americanas, para as quais observar a natureza e aprender a respeitá-la têm muita importância. E se estes momentos fossem registrados com fotos? A tecnologia não é uma vilã afinal se houver equilíbrio e controle de seu uso.

Outra sugestão pra lá de antiga porém tão memorável seria empinar pipa. Melhor seria se a criança fosse envolvida no processo de criação dela. Caso não, tudo bem, quem sabe da próxima? Não será este o impedimento deste milenar passamento. Até uma simples sacola plástica amarrada a um longo barbante serve! Claro que, para esta brincadeira em especial, o ideal é encontrar uma área grande, desocupada, sem muitas árvores ou postes elétricos, com bastante vento. Se conseguir encontrar este local, que maravilha. Aproveite! Dos pequenos aos mais velhos, é sucesso!

E os bebês? Eles não ficam de fora! Deixe que engatinhe pelo gramado, permitindo o contato com a natureza e fazendo suas descobertas neste meio. Podemos nomear o que está ao seu redor, explorar com ele.

Enfim, brincar não tem mistério, pois até mesmo um momento, um toque, uma palavra, pode desencadear novas e interessantes brincadeiras, criando vínculos inquebráveis. Brincar é como respirar e pode ser a atitude precursora e desencadeadora das maiores aprendizagens de uma criança e a natureza, o espaço ao ar livre, potencializa as habilidades infantis, especialmente motoras e imaginativas.

A infância atual necessita deste contato com o meio natural e cabe à nos ajudar no resgate deste costume. Por incentivo, convite, hábito, enfim. De algum modo, tiremos as crianças da frente de suas telas, do meio das paredes e deixemos que aprenda a desfrutar da natureza, valorizando-a e aprendendo a cuidar e zelar por ela.

Em resumo:

  • Programe-se! Vá para fora de casa, deixe os eletrônicos e aproveite o local ao ar livre à sua escolha. Caso possa variar, ainda melhor.
  • Incentive e, de preferência, participe! Gastemos nossas energias motoras, deixemos a imaginação tomar conta.
  • Aproveite o momento, viva o presente de forma plena. Aprecie a vida e valorize o agora, estes instantes provavelmente ficarão na memória, tanto sua quanto da criança.
  • Ouse quebrar suas próprias barreiras que o limitam e deixe a brincadeira fluir também em você adulto! Respire fundo e aproveite!
Sobre o Autor
  • Samanta Sievers

    Samanta é mãe de duas meninas, pedagoga, professora de Educação Infantil, apaixonada pelo universo brincante e idealizadora da página Brincando+ no Facebook, e no Instagram @brincandomais.

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