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Desafios em criar filhos no Exterior!

Muitos nos questionaram se voltaríamos para o Brasil quando o bebê chegasse e digo, nunca nem pensamos nesta hipótese, afinal, apesar dos desafios que comentarei aqui, as coisas boas como segurança, liberdade na criação do meu filho, contato com outras culturas, se destacam e fazem tudo valer a pena. Aliás, acredito que o desapego é o maior aprendizado que levamos ao morar fora, e isto é libertador!

Quando você mora fora, nem que seja por pouco tempo, o bichinho da mudança te morde e você consegue enxergar o quão maravilhoso é sair da sua zona de conforto, o quão desafiador é conhecer novas culturas e o quão difícil é de se manter na rotina diária sem pensar mil vezes em fugir dela….

Quando decidimos sair do Brasil, éramos apenas eu, meu marido e nosso cachorro, sendo bem mais fácil a decisão de se jogar neste Mundão e assim foi… Meu marido é desenvolvedor de aplicativos para IOS, já trabalhava para a empresa Maltesa há mais de 1 ano de forma remota e como freelancer, logo, o dono da empresa o convidou para trabalhar efetivamente na empresa, ofereceu o visto de trabalho e lá fomos nós…

Claro que, primeiramente, estudamos sobre o país, o quanto precisaríamos para viver (sendo que eu não poderia trabalhar legalmente), vendemos todas as nossas coisas no Brasil, organizamos tudo o que conseguimos e aí sim, nos jogamos…chegamos em Malta em novembro de 2016 e dois meses depois, eu engravidei (depois de 4 anos de tentativas frustradas).

Consegui trabalhar, informalmente, como tradutora de Inglês x Português e também fazendo brigadeiros para um restaurante brasileiro, mas depois que o baby Felipe nasceu, em setembro de 2017, comecei a ser mãe 100% do tempo e criei o blog Mães de Salto Agulha para não parar com a escrita e também, para poder dividir minhas experiências, minhas dúvidas, minhas alegrias com a minha família e com outras mamães que sempre me ajudam muito com suas histórias!

Nossa vida em Malta está bem confortável, conseguimos nos virar bem com apenas o salário do meu marido, descobrimos que conseguimos viver super bem sem muito luxo, definitivamente, gastamos bem menos do que no Brasil, compramos roupas e coisas para casa somente quando são extremamente necessárias, assim como, cortes de cabelo, fazer as unhas ou depilação (que acabei aprendendo na marra a fazer sozinha, pois é muito caro por aqui!).

Nosso dinheiro é bem utilizado para aproveitar as coisas não materiais, como passeios, viagens, sair com os amigos para conhecer um novo lugar, um novo restaurante, para ir a festivais, e assim, criar memórias que ficarão para sempre em nossas mais doces recordações deste nosso tempo por aqui, e o mesmo quero para o meu filho, que ele se lembre dos melhores momentos que teve conosco e tenha consciência de que a felicidade se encontra nas coisas mais simples da vida, nos instantes em que estamos ao lado de quem amamos e não nas coisas materiais. Aliás, acredito que o desapego é o maior aprendizado que levamos ao morar fora, e isto é libertador!!!

Claro que pretendo voltar ao mercado de trabalho, até porque isso me faz sentir útil e ativa, mas somente quando meu filho estiver com mais de 1 ano, pois quero estar ao lado dele na fase mais importante do seu desenvolvimento. Sim, pretendemos coloca-lo em uma creche, mas ainda nem comecei a ver como funciona isso aqui em Malta (assim que souber, volto para contar, ok?!!).

Muitos nos questionaram se voltaríamos para o Brasil quando o bebê chegasse e digo, nunca nem pensamos nesta hipótese, afinal, apesar dos desafios que comentarei abaixo, as coisas boas como segurança, liberdade na criação do meu filho, contato com outras culturas, se destacam e fazem tudo valer a pena.

Alguns desafios:

  1. Saudades da família: sim, este é o maior desafio de todos! Tirar meu filho do convívio dos primos, tios, avós, dói muito (mais em mim do que nele), mas hoje com toda a tecnologia que temos, ficou mais fácil ver e conversar com maior frequência, com quem está longe e isso ameniza a dor da saudade;
  2. Rede de apoio: Por mais que você tenha a maior liberdade do mundo de criar seu filho longe dos palpites alheios (o que é maravilhoso), não ter ajuda de nenhum familiar, também é algo desafiador! É só você e seu marido para tudo, e se um fica doente, o outro precisa se desdobrar em cinco para poder dar conta de tudo;
  3. Idioma: por mais que estar em outro país te faz crescer muito, aprender uma nova língua e tudo mais, o idioma te atrapalha quando você precisa se expressar e entender tudo nos mínimos detalhes. Por exemplo, ficar doente por aqui, ou mesmo ter meu filho aqui foi um grande desafio, afinal, por mais fluente que eu fosse na língua inglesa, as palavras técnicas da área da saúde e explicar tudo o que eu sentia na outra língua, não foi a coisa mais fácil do mundo! A gente vai se adaptando, mas nada como você falar tudo o que sente na sua língua materna!
  4. Burocracias: ter um filho em outro país requer correr atrás de uma série de documentos para poder viver com ele por aqui! Aqui em Malta não possui embaixada Brasileira e por isso, para registrá-lo e fazer seu passaporte tivemos que ir para Roma (lugar mais perto, cerca de 1.000 km, 1h30m de avião), para poder seguir com os trâmites. Outra coisa, meu filho não tem direito à cidadania Maltesa, ou seja, é apenas um brasileiro nascido em Malta, diferente de outros países como EUA ou Canadá, onde você nasce e vira cidadão, automaticamente.

É isso aí, apesar de todos os desafios que surgem no caminho, vale cada esforço, cada lágrima de saudade, cada pedra no caminho, cada perrengue que passamos, e se você está na dúvida de encarar uma grande aventura em sua vida, diga SIM às oportunidades que aparecerem pela frente, pois nada apaga o aprendizado que levamos ao sairmos de nossa zona de conforto!

Sobre o Autor
  • Rô da Rosa

    Roberta, conhecida também como Rô da Rosa, é mãe do Felipe, leonina, publicitária, adora escrever, aprender e compartilha suas experiências no blog Mães de Salto Agulha. Hoje, mora em Malta (ilha localizada ao Sul da Itália) com seu marido e filho, e está sempre em busca de novos desafios. É uma eterna sonhadora, quer deixar um mundo melhor para o seu filho e também um filho melhor para esse mundão que fica logo ali!

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