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Síndrome da creche

Você provavelmente já deve ter ouvido falar que crianças que frequentam creche, estão mais suscetíveis a doenças contagiosas. Mas será que isso é verdade? Vem comigo, e vamos refletir um pouco mais a respeito.

Você certamente já deve ter ouvido falar, em algum momento, que crianças que frequentam creche, adoecem mais facilmente, ou com maior frequência, mas vamos falar um pouco mais a fundo sobre estas questões. Será que é assim mesmo? Vem comigo, que vou te explicar com mais detalhes.

Por definição, creche é o estabelecimento educativo para crianças até 3 anos de idade. Síndrome da creche é o termo utilizado para definir as crianças dessa faixa etária que são acometidas por infecções de repetição, geralmente de vias aéreas respiratórias.
Se antes as crianças entravam na escola por volta dos 5 anos de idade, agora isso acontece cada vez mais cedo, ainda antes de um ano de idade, com poucos meses de vida. E claro, os maiores motivos para isso são a necessidade de trabalho dos pais, ausência de familiar que possa ficar com a criança, impossibilidade de contratação de uma babá.

Mas calma, sabemos que com o ritmo de vida que temos hoje, muitas vezes não nos permite abrir mão do nosso trabalho para cuidar dos filhos em casa, como acontecia antigamente. E também não estamos te culpando por isso, aliás, sabemos que em muitos casos os pais até gostariam de não precisar levar a criança tão cedo para a creche, porém, é o que mencionamos anteriormente, muitas vezes não há outra possibilidade a não ser esta.

Não é incomum ouvir dos pais que após a entrada na creche, a criança passou a ter problemas de saúde frequentemente. Crianças que frequentam creche têm cerca de 6 a

8 episódios de infecções ao ano. Retirando o período de férias e os meses de verão, é quase um episódio por mês. Por isso que algumas famílias experimentam a sensação de que a criança está sempre adoecida: resfriados, otite, faringite, varicela, roséola, mão-pé-boca… e por aí vai.

Meu filho entrou na creche e vive doente, ele tem “imunidade baixa”

Não, vamos iniciar derrubando esse mito. Os recém-nascidos recebem anticorpos da mãe através da placenta, nascendo com níveis adequados de anticorpos, o que lhes propicia proteção contra infecções nos primeiros meses de vida. Além do leite materno, que propicia inúmeros benefícios para a imunidade do bebê. Porém, durante os primeiros anos a criança passa por um processo NATURAL de imaturidade de seu sistema imunológico, o que a torna mais vulnerável a infecções. Entretanto, estas infecções são leves e geralmente não apresentam complicações.

O leite materno é uma fonte rica de anticorpos e de outros componentes valiosos para a defesa do organismo. Este é um dos motivos da importância da manutenção do aleitamento materno até quando possível, principalmente no primeiro ano de vida. O sistema imunológico continua a amadurecer ao longo dos anos subsequentes.

E as crianças que não são amamentadas?

As crianças amamentadas com fórmulas infantis acabam não recebendo esta proteção do leite materno, por isso podem apresentar um aumento do número de infecções quando comparadas a crianças amamentadas exclusivamente com leite materno, porém, isso não quer dizer que necessariamente ela ficará mais doente do que a criança que é amamentada com leite materno.

Como a alimentação interfere nesse processo?

O sistema imunológico utiliza diversos micronutrientes (como ferro, zinco, selênio, etc) para manter suas defesas ativas. É necessária uma dieta equilibrada e balanceada para manter a saúde em dia. Por isso, crianças precisam comer de forma saudável: alimentos frescos, naturais, coloridos, livres de industrializados e açúcar refinado. Sabemos o quanto isso pode ser difícil na correria do dia a dia, mas acredite, isso influencia diretamente na saúde desta criança, e consequentemente na imunidade.

Então basta dar uma vitamina que tudo melhora?

Não, pois nem sempre se tem integridade intestinal para absorver os nutrientes. Por isso que muitas mães iniciam vitaminas e não notam melhora. A criança simplesmente não absorve. Mais do que vitaminas, precisa-se reestruturar a dieta da criança. Você não é o que você come, mas o que você absorve. Bem, e se tiver dúvidas de como fazer a alimentação de forma balanceada e equilibrada para a criança, talvez seja interessante buscar ajuda profissional de um nutricionista que poderá auxiliar neste processo.

O que podemos fazer diante disso?

  • Postergar o quanto puder a entrada na creche;
  • Escolha bem a creche: tanto pelo cuidado como pela dieta ofertada. Visite todos os espaços e peça para ver o cardápio, mas se possível, converse com pais dos alunos matriculados, pois eles poderão lhe passar suas impressões a respeito do ambiente, e se o cardápio é seguido de verdade (acredite, infelizmente tem escolas que não seguem o que propõem);
  • Não leve seu filho doente à creche, mesmo que os sintomas sejam leves. Isso evita a transmissão da doença para outras crianças. Aqui entram vários “poréns”, já que a maioria dos pais não consegue se ausentar do trabalho e muitas vezes as crianças não tem com quem ficar. Mas, para aqueles que tem esta opção, permanecer afastada da creche diante de um quadro infeccioso é o melhor;
  • Faça a higiene diária nas narinas aplicando soro fisiológico com seringa ou sprays.

Como aumentar a imunidade?

Existem várias estratégias favorecedoras ao aumento da imunidade em crianças, entre elas, as principais são:

  • Mantendo aleitamento materno até quando possível e desejado;
  • Diminuindo farináceos refinados e zero açúcar refinado;
  • Aumentando o consumo de frutas e verduras;
  • Mantendo o calendário vacinal atualizado;
  • Atividades físicas e brincadeiras ativas com as crianças, mesmo as mais novas precisam se movimentar;
  • Tendo exposição solar adequada para a idade, quando possível. De modo geral cerca de 20 minutos diariamente;
  • Consumindo probióticos: sempre prescritos por pediatra ou nutricionista. Probióticos são microorganismos vivos que podem auxiliar na modulação da saúde, comercializados em farmácias gerais e de manipulação.

Ok, entendi. Mas, e quando devo me preocupar?

Algumas crianças precisam ser investigadas para imunodeficiência, quando existe realmente algum problema de imunidade na criança. Doenças complicadas e graves recorrentes, com uso repetitivo de antibióticos, chamam a atenção e devem ser avaliadas. Na dúvida, sempre avalie com seu pediatra de confiança.

Resumindo:

  1. Crianças que frequentam creche podem apresentar mais infecções por imaturidade imunológica e por maior exposição a doenças.
  2. É necessário avaliar cada caso, mas a maioria das crianças não apresenta doença do sistema imunológico;
  3. Mantenha o aleitamento materno sempre que possível;
  4. Dieta equilibrada é fundamental para o bem estar e saúde da criança e de toda a família.
Sobre o Autor
  • Evandro Amorim

    Graduado em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, apaixonado pelo universo materno-infantil, optou precocemente por fazer pediatria. Realizou residência médica em Pediatria pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Pós-graduado em medicina do Exercício e Esporte, atualmente cursa outra pós graduação: Homeopatia pela Escola Homeopática de Curitiba. Concentra suas atividades em consultório privado e escrevendo para blogs e redes sociais. O foco do seu trabalho é uma pediatria integrada, lançando mão de terapêuticas naturais e menos invasivas.

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