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Um bebê no meio de nós!

Com a chegada de um filho tudo se transforma, algumas coisas ficam mais fáceis, já outras, precisam ser totalmente reinventadas. Com o relacionamento do casal, não é diferente, afinal, toda a dinâmica familiar muda.

Você sabia que vários dados estatísticos apontam que o número de divórcios entre casais com bebês e crianças pequenas são bem maiores que nas outras fases do ciclo de vida de uma família? Mas afinal de contas o que contribui para isso?

O fato de se tornar pai e mãe tende a trazer transformações intensas e profundas na identidade e individualidade de cada pessoa. Pensando que um casal é composto de duas individualidades, já pensou quanta mudança essa nova função traz para o casal e para essa união?

A chegada do filho exige uma mudança na dinâmica de funcionamento do casal. O bebê chega ocupando um tempo e espaço que antes os parceiros muitas vezes dedicavam um ao outro, fazendo com que estes precisem adequar seus parâmetros para entrar em outra sintonia.

Ao mesmo tempo, muitas vezes, o casal traz pendências não resolvidas lá de trás, questões que tendem a vir à tona nesta fase, potencializadas por todo o contexto de tensão que já envolve o processo de transição da família. Não é a toa que nós terapeutas de família costumamos chamar essa fase do ciclo familiar de ´´panela de pressão“.

O puerpério, que as pessoas acreditam ser o período que corresponde aos primeiros meses após o parto, na realidade, já se sabe que em termos psicológicos, dura no mínimo dois anos para a mulher, podendo se estender até os 3 anos da criança. E podemos pensar o período puerperal como uma mistura de sentimentos, muitas vezes ambíguos, de alegria, de tristeza, de intensa sensibilidade, de cansaço, de exaustão.

Os 3 primeiros meses de vida do bebê fora do útero, é o período de adaptação dele ao meio externo, então é natural, que queiram ficar grudadinhos, pois é como se ainda estivesse na barriga da mãe. Este costuma ser um dos momentos mais desgastantes para a família, pois é essencial a adaptação de todos, especialmente em relação à rotina de amamentação, de cuidados, ou seja, é momento de total conexão com o bebê, o que costuma ser exigir física e emocionalmente da mulher puérpera.

Diante dessa proximidade da mãe e do bebê, muitos homens costumam se sentir excluídos. E é para você homem, que se sente assim que falo: NÃO SE SINTA EXCLUÍDO, SE INCLUA, fazendo o seu papel e a parte que lhe cabe, que é justamente o de apoiar e preservar este ´´espaço“ da dupla mãe/bebê. É neste momento que vocês terão a oportunidade de criar ou aprofundar uma cumplicidade e parceria que talvez não tenham vivido em outra fase de seu relacionamento, o que muitas vezes passa despercebido devido às tantas demandas e emoções do momento.

O primeiro ano de vida do bebê mesmo marcado por muita doçura e alegria tende a ser um ano de muitos conflitos e dificuldades para o casal, devido a essa intensidade emocional, que envolve todo o processo de ajustamento a nova realidade. O cuidado com o filho nos primeiros meses e mesmo depois, acaba sendo de muito desgaste físico e emocional, o que afetará a disposição de ambos, inclusive a sexualidade do casal.

Infelizmente vejo que os casais ainda se preparam pouco, emocionalmente falando, para este período, pós chegada do filho, geralmente focam muito em questões objetivas, materiais e não se atentam, refletindo e conversando sobre todas as transformações que virão, e ao se deparar com a realidade, se assustam.

Quando os parceiros se sentem mais preparados, enfrentam melhor as dificuldades, com menos estresse e mais leveza. Neste caso, um trabalho de pré natal psicológico pode auxiliar bastante o casal.

O trabalho de Pré Natal Psicológico tem como propósito maior oferecer apoio e um espaço de escuta aos sentimentos e expectativas da família gestante durante a gestação, parto e pós-parto, fornecendo suporte profissional para que o casal/mulher gestante possa expressar suas expectativas, fantasias, emoções, sentimentos. Além também, de favorecer a troca de experiências, descobertas e informações, pois geralmente é realizado em encontros grupais ou individuais. A gestante ou família não precisa estar atravessando dificuldades emocionais para realizar o pré natal psicológico.

Muitas pessoas ainda acreditam que ter um filho vai salvar o casamento que está em crise ou estabilizar a relação e só depois de se deparar com a realidade, percebem a ilusão que criaram. Vamos repensar um pouco sobre isso? As demandas que surgem com a chegada do filho podem ´´abafar“ provisoriamente as questões não resolvidas e elaboradas pelo casal, mas elas tendem a voltar em momentos posteriores e geralmente potencializadas.

Com tantas transformações, nessa fase, é natural que esses parceiros se desencontrem. Mas vamos pensar que ao longo de nossa vida, vamos nos transformando, mudando, casamos com um parceiro, mas não permanecemos casados com essa mesma pessoa a vida toda. Os sonhos, as concepções, crenças, valores, tudo vai mudando. Então, falamos que ao longo do tempo, temos a oportunidade de encontrar, desencontrar, casar, recasar ou de descasar com este parceiro que vai se transformando.

Mesmo não existindo uma receita pronta, pois cada casal vai apresentar uma realidade e necessidades diferentes, trouxe algumas orientações que são úteis diante dessa nova mudança na vida do casal:

Não tomem decisões que envolvam o casamento neste período: em uma relação a dois saudável, as desavenças são discutidas e ´´não varridas para debaixo do tapete“, a raiva pode ser expressada, sem que os parceiros percam o respeito um pelo outro. Mas, neste momento familiar, é importante frisar que tudo fica muito potencializado pelo cansaço físico e poucas horas de sono, e estas, contribuem e muito para a alteração do humor, portanto, lembrem-se sempre disso e ponderem nas conversas e decisões que queiram tomar.

Tirem tempo só para vocês: não abram mão disso, mesmo que inicialmente sintam que não estão em sintonia, busquem fazer algo juntos. Tirar um momento para os dois, sair para jantar, fazer uma caminhada, aprender a fazer do casamento uma prioridade.

– Reflitam e reconheçam juntos que a vida mudou: assumam que terão que fazer ajustes e é natural ter que abrir mão de algumas coisas em prol do bem estar de toda a família.  Aprendam a negociar um com o outro, se ajudando e colaborando, isso só reforçará a parceria de vocês.

Reserve um tempo para cuidar da sua individualidade: negocie um tempo para que cada um faça aquilo que mais gosta, um tempo com os amigos, ler um livro, sair para tomar um café, dar uma volta no shopping, algo que nutra emocionalmente o parceiro enquanto o outro cuida do bebê. Isso contribuirá muito para a relação do casal e também no seu bem estar na sua maternidade/paternidade.

Se ainda não tem, crie uma rede de apoio: nessa fase, toda ajuda, principalmente para questões objetivas é válida. Costumo dizer, que uma rede de apoio para famílias com bebês e crianças pequenas salva casamentos!  Não é terceirizar filhos, é ajuda! Portanto, busquem algum familiar ou pessoa de confiança para ficar com o bebê enquanto descansam juntos ou saem uma noite para jantar, ou até alguém que ajude nas tarefas de casa. Essa rede de apoio é muito importante enquanto tiverem crianças em casa, mas nessa fase puerperal é essencial.

Busque ajuda: compartilhar experiências, com pessoas que viveram o mesmo momento pode auxiliar a enxergar caminhos possíveis e a ter mais paciência e persistência. Buscar auxílio de um terapeuta de casal ou de grupos terapêuticos de apoio, também pode servir neste momento de travessia, inclusive, sempre falo que os casais tendem a buscar ajuda profissional somente quando as dificuldades já se tornaram uma crise conjugal grave, e não é preciso que seja assim.

Resumindo:

Faça a sua parte para a relação dar certo, nós só podemos responder por nós mesmos, não se esqueça disso, portanto não fique tentando mudar o outro.

Reflita e veja o que você precisa modificar em suas atitudes, responsabilizando-se por elas somente. Na maior parte das vezes, quando mudamos, o outro também modifica seu comportamento, fica menos reativo e a comunicação melhora.

E no momento adequado, não tenha medo de revisar com seu parceiro pontos do ´´contrato conjugal“ que vocês estabeleceram, lembre-se contratos se prescrevem e precisam ser revisados de tempos em tempos, com todas as transformações pela qual estes parceiros vão passando, em especial, quando entram os filhos!

Por fim, peçam ajuda se sentirem que não estão conseguindo resolver os conflitos sozinhos, reconhecer nossas vulnerabilidades requer muita coragem, uma ajuda profissional pode te auxiliar a enxergar a situação por outros ângulos e a se entender melhor!!

Até a próxima!!

Sobre o Autor
  • Juliana Caldeira

    Juliana é graduada em Psicologia, e especialista em terapia de família e de casal na abordagem sistêmica. Desde o início já havia escolhido trabalhar com o universo de casais, famílias e tudo que o envolve e o cerca. Desta paixão nasceu o ReInventar Se Espaço Sistêmico, espaço por enquanto virtual, onde idealizou os projetos ReInventar-Se Família, ReInventar-Se Mulher e o Programa Família Gestante, de Pré-natal psicológico e nutricional para famílias gestantes em parceria com equipe multidisciplinar da Clínica Gestar.

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