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A importância do brincar, de forma realista e prática

Apesar de parecer corriqueiro, brincar auxilia na comunicação e expressão do indivíduo, além de contribuir com o desenvolvimento psicomotor, físico, mental, emocional e social. Brincar educa e desenvolve.

Quando uma criança nasce, a família se envolve para nutri-la, na forma alimentar mesmo. Dialogam sobre amamentação, mamadeiras, frutas, papinhas, sopas. Menos açúcar, menos sal, mais orgânicos, mais natural. No entanto, o brincar também deveria receber este olhar atento, afinal se a comida alimenta o corpo, o que alimentará o psicológico, o emocional, a alma deste pequeno ser?

Além do carinho, afeto, do contato olho no olho, do pele a pele, que são tão importantes, a brincadeira é a tarefa da criança, ou seja, é através dela que surge a possibilidade de experimentar, explorar e expressar o mundo que a cerca.

Brincar com os filhos

Poucos adultos admitem, é fato, mas muitos não gostam de brincar com seus filhos. Você conhece alguém que já vivenciou isso? Eu conheço vários. Mas vamos pensar juntos, porque será que isso acontece? Porque que muitos afirmam não gostar de brincar com os filhos? A rotina, os afazeres domésticos, o cansaço diário, nossos próprios compromissos… são tantos fatores que nos desmotivam para este momento de brincar! Além do fato de ter vivenciado uma infância com mais ou menos brincadeiras.

Não há nada de errado em sentir-se assim, porém antes de decidir não brincar com a sua criança é necessário compreender certos pontos. Brincar, segundo o dicionário, é divertir-se, entreter-se, jogar, simular situações, realizar imitações. Ou seja, há diversas formas de brincar, independente da posse de um brinquedo de marca renomada ou não.

Todo adulto já foi uma criança

A primeira atitude que sugiro com relação ao assunto é fechar os olhos e tentar relembrar sua vida enquanto criança. Quais eram suas preferências, suas maiores alegrias na sua forma de brincar, que tipo de brinquedos você tinha, com quem você brincava? Está difícil? Reveja suas fotos de infância, converse com algum adulto da sua idade ou alguém que conviveu naquela época, assim, algo deve vir à mente. Faça uma lista dessas boas lembranças do seu eu infantil, já é um bom começo!

Mas você pode estar pensando: “Samanta, eu não tive uma infância como os meus filhos tem hoje, tive poucos ou nenhum momento de brincadeira”. Neste caso sugiro observar as famílias e as crianças ao seu redor, que pertencem aos seus ciclos de relacionamento, ciclos de amizade e familiar, você pode aprender muito com eles. E quem sabe não consegue ter alguma ideia de brincadeira com seu filho?

Preste atenção:

Brincar não se trata de sentar no chão próximo ao filho com o seu celular na mão. Também não se trata de abandonar seus hobbies, tornando-se um pai ou mãe presente mas infeliz consigo mesmo, trata-se de equilíbrio, de qualidade, não de quantidade de tempo. O que a criança mais precisa, ao brincar com um adulto, é sua atenção, e que estejamos abertos ao universo delas, à forma como reinventam o mundo.

Quem sabe um dia na semana, por uma hora, seja um começo. Esqueça o restante, apenas esteja de corpo e alma próximo ao seu filho e deixe a brincadeira fluir. A criança terá sugestões, acredite. Caso queira ir além, pesquise sobre novas possibilidades. Faça pequenos planejamentos de brincar, construa brinquedos caseiros, mergulhe nesse universo.

Brincadeiras ao ar livre são ainda muito bem vindas, um simples pular na poça de lama pode ser uma alegria gigantesca e trazer grandes risadas. Esqueça um pouco os brinquedos comprados, as vezes uma caixa de papelão ou potes, fazem muito mais sucesso que os outros brinquedos, além do mais, estimulam bastante a criatividade da criança! Pode se tornar uma grande diversão!

Imprescindível citar, que enquanto pedagoga, vejo que a infância pede socorro. A tecnologia está presente no dia a dia dos adultos e da mesma forma, exageradamente, na infância atual. Tablets, celulares, aplicativos, Youtube, Netflix. Tanto tempo olhando para uma tela e tão pouco olhando para si, para fora da janela, para o outro.

Cada vez mais, as crianças estão rodeadas por paredes que nos dão segurança enquanto pais porém lhes tiram a liberdade. Brincar na rua, na lama, subir nas árvores, correr descalço, se sujar… a seus filhos você permite que o façam? Se a resposta é sim, que bom, e se é não, deixe que façam.

Vemos opções e mais opções de cursos para crianças, desde bebês. É claro que há benefícios, porém, o que queremos ao criar um cronograma de atividades extracurriculares diárias (além da própria escola já obrigatória) para uma criança de 4 anos? De que vale esta corrida desenfreada?

Por um lado, vemos cobranças e compromissos demais na infância, e por outro, liberdade e falta de limites ao extremo. Precisamos retomar o equilíbrio dessa fase, que como todas as outras, passa uma vez só. A infância é o período que traz muitas coisas positivas, e também pode trazer consigo “traumas”, se é que podemos chamar assim. Além disso, é nela que se formam grandes percepções e crenças das crianças, por isso, precisamos dar o que há de melhor de nós mesmos, aos nossos filhos. E aqui não me refiro a bens materiais, ou brinquedos, mas aquilo que realmente importa: nosso tempo, amor, carinho, dedicação, respeito, e o mais valioso de tudo, nossa presença de corpo e mente, com tempo de qualidade, ao lado deles que logo estarão tão grandes.

Certa vez estive em uma palestra do autor Paulo Fochi, que disse “não existe EJA (Educação de Jovens e Adultos) de berçário”. Aquilo me impactou. Não existe supletivo de Educação Infantil, não há como recuperar uma infância perdida. É nossa função enquanto adultos de garantir que esta fase da vida de nossos filhos seja bem vivida.

Resumindo:

Se você não sabe como brincar com seus filhos, revisite suas memórias infantis, resgatando a criança que você foi ou simplesmente observe com atenção a grupos de crianças e perceba a alegria de vivenciar brincadeiras.

Se ainda assim não souber como fazer, relaxe, e deixe que seu filho conduza a brincadeira. Ele vai saber te mostrar o que quer, e o que espera de você naquele momento. Mergulhe de cabeça! 😉

Encontre maneiras de equilibrar a rotina de adulto e a necessidade de brincar de seu filho. Marque na agenda um momento só pra vocês, se for necessário. Desligue os eletrônicos e aproveite!

Caso empolgue-se, pesquise, inove, crie novas possibilidades de brincar! Este é um fantástico universo a ser explorado.

Deixe fluir e DIVIRTAM-SE.

Sobre o Autor
  • Samanta Sievers

    Samanta é mãe de duas meninas, pedagoga, professora de Educação Infantil, apaixonada pelo universo brincante e idealizadora da página Brincando+ no Facebook, e no Instagram @brincandomais.

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