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Adotei para ser feliz

Nem sempre a maternidade/paternidade precisa ser acompanhada de uma gravidez. Muitas pessoas buscam através da adoção a maneira de realizar este tão desejado sonho de se tornar pai e mãe.

Oi queridos! É com um prazer imenso que eu começo hoje o nosso canal aqui no Licença Maternidade! E para começarmos esse papo sobre a Adoção, vamos de fato começar do começo, o meu começo. Quero dividir com vocês a minha experiência, o meu processo, e claro, como tudo tem acontecido por aqui (já desconfiando de que esta parte seja a que mais interessa a vocês, pretendentes 😉).

Onde tudo começou:

Bom, logo que eu comecei a me relacionar com meu marido e pai dos meus filhos, o Gui, ele me relatou de um problema físico dele, chamado Varicocele. Me lembro perfeitamente de quando tivemos essa conversa, onde ele queria me dizer, resumindo, que provavelmente ele não pudesse ter filhos biológicos. Ele ainda estava realizando os tratamentos, mas essa possibilidade era grande, real, e ele estava me contando logo no começo do nosso relacionamento, porque pensava que isso poderia ser um obstáculo para o nosso namoro ir em frente. Eu confesso que não me assustei com a notícia, no momento, porque a ideia de ser mãe era algo muito vago na minha vida, então, parecia mais um detalhe menos importante dentro daquela relação que estava crescendo de um forma tão bonita dentro da gente! Sim, estávamos completamente apaixonados (e continuamos, mas esse é outro papo…rs).

Antes de continuar esta história, vamos fazer um breve parênteses para explicar o que é a Varicocele. Varicocele nada mais é do que varizes, aquelas que normalmente se formam nas pernas, sabe? Então, só que ao invés de se formarem nas pernas, se formam nos testículos. Com isso, podem causar baixa produção de espermatozoides e diminuição da qualidade do esperma, levando à infertilidade. Vale lembrar que nem toda Varicocele causa infertilidade, a do Gui, que eu sempre digo que era nossa, causava. Com a cirurgia, as varizes foram curadas, mas a infertilidade permaneceu. A quase infertilidade, já que depois de adotar os meninos eu engravidei, mas essa história é também para outro artigo! J

Corta esse filme e pula para dois anos depois. Quando finalmente casamos, fomos morar na mesma cidade, na mesma casa, e passados alguns meses, o estalo veio: quero ter filhos!  Eu não acredito em relógio biológico, e nesse papo de que toda mulher quer ser mãe, e a vontade vai aparecer um dia, ok? Mas comigo aconteceu assim: uma vontade do nada mesmo, de dar e sentir amor por uma criança.

Aí, toda aquela história de doença, de não conseguir ter filhos voltou a minha mente. Retomamos a conversa e decidimos procurar os especialistas para saber como poderíamos realizar à vontade, que a essa altura era também do Gui. A saga foi grande, e num outro momento posso contar para vocês todos os detalhes, mas para esse papo basta saber que a cirurgia corretiva do problema do Gui tinha uma porcentagem de chance de dar certo, outra de ser indiferente e outra de piorar o problema. Adivinha? Isso mesmo. A cirurgia resolveu o problema, mas piorou a questão de fertilidade.

Diante deste diagnóstico, o médico nos indicou que uma fertilização in vitro pudesse resolver a questão, e mais um especialista. Nós dois, a esta altura, tudo que queríamos era ficar longe de médicos, hospitais e mais exames e especialistas. Então, neste dia, nós começamos a pensar em outra forma de ter filhos, que não fosse a natural, biológica: a Adoção.

O início deste desconhecido universo da Adoção:

Nossas primeiras pesquisas foram por orfanatos. Sério, eu digitei isso no google: or-fa-na-to. Hoje vejo o quanto eu era ingênua de achar que as crianças em situação de abrigamento, eram pobres crianças que tinham ficado órfãs e estavam em locais que cuidavam delas até uma família aparecer para adotá-las. Essas crianças, na minha cabeça, eram bebês.

Mais alguns cliques e todo um mundo se descortinava na minha frente! Era tanta informação para lidar que demoramos dias para entender todo aquele processo, e para cair a ficha de que a realidade da adoção no Brasil era completamente diferente do que a gente imaginava.

No lugar de orfanatos, tínhamos os abrigos, no lugar de crianças órfãs, muitas crianças com famílias que não puderam ou perderam o direito de cuidar delas e no lugar dos bebês, muitas crianças e adolescentes.

Aprofundando as pesquisas e conhecemos uma comunidade, no antigo Orkut, que reunia pretendentes a adoção, pais adotivos e alguns membros de abrigos e varas de família, que tinha como objetivo dar apoio a quem quisesse adotar, e no pós adoção, onde com certeza o apoio é muito mais necessário.

Nessa comunidade descobrimos um abrigo que realizava um programa chamado Apadrinhamento de Férias. Nesse programa, você se cadastrava e levava para passar 15 dias na sua casa, uma criança abrigada. Na hora meus olhos se encheram de vontade e esperança, será que ali encontraríamos o filho tão desejado? Talvez sim, talvez não. Mas já seria uma ótima oportunidade de conviver com uma criança, e de entrar em contato com esse universo novo. Alguns contatos com o abrigo, e já tínhamos data para visitar e conhecer as crianças, mais especificamente duas crianças, de 5 e 8 anos, que eram as que estavam sem padrinhos para as férias.

O primeiro contato:

Chegamos ao abrigo, e quem nos abre a porta? Um dos nossos filhos! Nesse momento, ele ainda não era nosso filho, e a gente nem imaginava que era ele e o irmão que iríamos apadrinhar, mas meu coração já pulou forte, sabe-se lá porque. Tem muitas coisas nas histórias de adoção que a razão não explica. Ao chegarmos na diretoria do abrigo, a diretora diz ao menino de sorriso largo e olhos brilhantes: “Ué, já conheceu seus Padrinhos?”. Era aquele menino, de 8 anos, e o seu irmão de 5, que seriam nossos hóspedes de férias.

De cara houve uma conexão entre nós. Não é sempre assim que acontece nas adoções, mas com a gente foi, uma conexão clara e forte, imediata. Quando falamos das férias, Marcelo, o mais velho, disse logo: “Precisa me levar não tia, leva só o meu irmão. Eu fico com algum funcionário aqui do abrigo mesmo”. Eu imediatamente insisti, e disse: “Ou os dois, ou nenhum”.

Nas nossas pesquisas já tínhamos identificado que havia um tempo que a prática de separar irmãos era comum nas adoções. E ficamos indignados! Mesmo sabendo que existem grupos de 4, 5 até 8 irmãos abrigados, e que adoção de todos juntos ficaria quase impossível. Então, sabendo dessa realidade, pensamos: ou os dois, ou nenhum. Quem mais sabia dessa realidade era o Marcelo. Como ele viu crianças mais novas (e mais brancas) serem adotadas mais rapidamente, nos seus 4 anos de abrigamento. Diante de toda essa experiência, lhe veio a consciência e a responsabilidade adultas de tentar ao menos, que seu irmão conseguisse uma família, já que para ele, essa chance já tinha ficado para trás. Conversa vai, conversa vem, Marcelo topou vir com o irmão, Miguel.

O nascimento:

E para história não ficar imensa, e eu contar tudo de uma vez aqui no canal, resumo que no final do primeiro dia em casa, o Marcelo olha para o Gui e diz: “posso te chamar de pai?”. Assim, naquele mesmo dia, viramos uma família.

De lá para cá, são 7 anos de uma jornada muito rica, com muitos altos e baixos, muito aprendizado deles conosco, e principalmente, nosso com eles. Estamos em plena adolescência e a coisa está fervilhando, de novidades, lembranças, questões, ahhh, tanta coisa! Terei muito o que contar, dividir e aprender com vocês.

Já quero adiantar que a adoção tardia, que é adoção de crianças maiores de 3 anos de idade, é totalmente possível, encantadora, desafiadora e feliz! Tem muitos pretendentes a pais e mães que por medo, desconhecimento ou preconceito deixando de experienciar a delícia da maternidade e da paternidade, esperando por anos a fio um bebê que não vem (simplesmente porque não tem!).

Resumindo:

– A adoção é um dos caminhos para a maternidade!

– Já existem muitas crianças disponíveis para adoção no Brasil, e a realidade dessas crianças e dos abrigamentos é muito diferente do que a gente imagina.

– Então, você não precisa esperar somente pelos bebês.

– A adoção tardia, com um perfil mais amplo,  pode ser muito menos complicada do que você imagina.

A gente vai falar muito disso aqui no canal, justamente com esse objetivo: desmistificar a questão da parentalidade através da adoção, mostrando que essa é mais uma forma de se constituir uma família, e que nem só tendo bebês é que se realiza o sonho de ser mãe e pai.

Eu adotei para ser feliz, e você?

Um abraço e até a próxima!

Sobre o Autor
  • Karina Drumond

    Karina Drumond é mãe do Marcelo, de 15 anos, e do Miguel, de 12, casada com o Gui há 7 anos, e juntos eles formaram uma família linda pela adoção tardia. Desde então, busca promover e divulgar a adoção, tendo a certeza de que toda criança merece um lar e que não existe criança inadotável. Karina é psicóloga há 13 anos, e entre alguns trabalhos, realiza Aconselhamento e Coaching para Pais, no projeto Pais Possíveis.

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Comentários
  • jadi - 07/09/2017

    chorei...muito lindo e verdadeiro. tbm estamos no processo de adoção eu e meu esposo.

    Responder
    • Karina Autor - 10/09/2017

      Que legal Jadi! Em que fase do processo vocês estão?

      Responder
  • Ana Cesquim - 06/09/2017

    Ahhhhhh vc viu?!?!? O que dizer desse texto? Que seja só o primeiro dos milhares!!! Quero mais mto mais!!! Histórias como a de vcs ajudam demais a conhecer o universo da adoção! Bora pra cima é mto sucesso! Bjuuuu

    Responder
    • Karina Autor - 07/09/2017

      Ana, querida, vindo de você é mais que elogio! Em breve quero as suas histórias aqui, aí sim a gente zera a internet sobre o tema! Beijo amada! ❤

      Responder

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