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Marido e marido, mulher e mulher

Qualquer pessoa que assume o papel e a responsabilidade  pelo cuidado, amparo, ou criação, pode ser considerada “pai/mãe” ou cuidador na ausência dos "originais". Afinal, o papel desempenhado e a responsabilidade assumida, não fazem distinção de gênero ou sexo.

Este artigo não discute a sua religião.

Este artigo não discute os seus preconceitos.

Esse artigo não discute a sua vida, como sendo o melhor exemplo para o mundo.

Este artigo DISCUTE a importância das RELAÇÕES AFETIVAS.

Contudo, eu sei que serão inevitáveis algumas reações, comentários, pensamentos e tal. Manda ver! Afinal, “nós viemos aqui pra beber ou pra conversar?”

A formação da família

Winnicott já dizia no livro “A criança e o seu mundo”, que a mãe assume a recompensadora tarefa de cuidar do bebê. A palavra “mãe” é usada para indicar quem cuida. E é claro, quem melhor para cuidar de um filho, senão a mãe?

Mas o que fazer na ausência dela?

Não me refiro a uma ida ao mercado, mas algo pior. E se ela morrer? E se ela abandonar o seu filho? Assim, e como afirmara Winnicott, complemento que além do sexo feminino (e do masculino também), existe a importância do PAPEL e da RESPONSABILIDADE assumida. Uma mãe e um pai podem ser representados pelos avós, irmãos, amigos. Mas um pai também pode assumir a função da mãe e vice-versa.

Entenda que com tantas mudanças sociais que influenciam, inclusive, as formações familiares, qualquer pessoa que assume o PAPEL e a RESPONSABILIDADE  pelo cuidado, pela criação, pelo amparo, podem ser considerados “pais” ou cuidadores na ausência dos originais.

O PAPEL desempenhado e a RESPONSABILIDADE assumida não fazem distinção de gênero e sexo.

Tudo porque as crianças precisam de algo mais simples do que imaginamos: um ambiente que as proteja de um mundo que elas ainda não compreendem; um mundo que trará coisas maravilhosas, mas que também poderá trazer perdas significativas.

A criação dos filhos nas famílias homoafetivas

Embora seja fácil para eu escrever isso, também sei que muitas pessoas têm a convicção, ou melhor, a “certeza absoluta” de que pai e mãe é coisa de homem e mulher. E se pensam assim, elas estão certas.

E se você, pai, for uma dessas pessoas, também estará certo.

Ao dizer isso, não estou afirmando que essa é uma regra imperativa do universo. Digo isso porque eu acredito nos motivos que fazem você acreditar nessa visão. Afinal, não sei como foi a sua criação, o que e como você viveu…

Mas, embora eu acredite e tenha grande respeito por você, não quer dizer que irei privá-lo de informações. E se você ainda não estiver preparado para recebê-las, não se preocupe, eu estarei por aqui e não o deixarei “solto no ar”. É só deixar os seus comentários que nós trocaremos umas ideias.

Dois pais. Duas mães. Não importa, pois, as crianças criarão vínculos de acordo com o carinho e todo o tratamento amoroso e respeitoso que receberão. Nos Estados Unidos, uma pesquisa realizada pela Universidade de Denver mostra que as vidas de filhos criados por casais do mesmo sexo são tão boas quanto as de pais de sexos opostos.

Além disso, não duvide da forma como uma criança vê o mundo. Elas são perfeitamente capazes de adaptar-se ao fato de ter dois pais ou duas mães. A  prova disso está em diversas instituições e ruas do Brasil e do mundo, onde crianças anseiam por segurança, cuidados, proteção, amor.

“Ah, mas se o assunto for a adoção, então não tem nada a ver com isso!!!”

Então é preferível que uma criança não tenha ninguém para cuidar dela? Além disso, como estou falando de ADAPTAÇÃO, se uma criança não conseguisse se adaptar a ausência dos pais, morreria logo no primeiro dia de vida.

Assim, se conseguem se adaptar a solidão existencial e emocional de alguma forma, por qual razão não conseguiriam se adaptar ao convívio dentro de um ambiente repleto de amor, seja ele composto por pais do mesmo sexo ou não?

Não verdade, a minha preocupação é muito mais com os pais do que com os filhos. Uma vez que a sociedade, embora mais aberta, mas ainda homofóbica, reprime homens e mulheres que se gostam, eu me questiono o quanto o caminho desses pais e mães será suave.

No entanto, eu me “desquestiono” rapidamente, pois, pensar assim, seria restringir a capacidade natural que TODOS nós temos para criar um filho, a quase zero. Assim, embora famílias homoafetivas sofram com preconceitos, famílias compostas por casais héteros também sofrerão por outras coisas.

Se você é gay e se incomodou com isso, já digo logo que essa não é uma guerra de quem tem mais ou menos problemas… ou sofre mais. Esta é uma colocação clara de que, seja você quem for, terá que lidar com as “merdas da vida”, bem como as coisas boas e maravilhosas.

Se a vida é dura porque todos “olham torto” para o seu filho, já que ele tem duas mães ou dois pais, também é duríssima para aquele pai supostamente preconceituoso, que está desempregado, ralando para conseguir uma refeição decente uma vez ao dia, e prestes a ser despejado de seu único cômodo com a sua esposa e filhos.

Pense bem!

O pai, independentemente do sexo

Como dito acima, os filhos se adaptam e o PAPEL e a RESPONSABILIDADE devem prevalecer. Se você é mulher, terá muito com o que se relacionar com o papel masculino em seu dia a dia.

Eu vou pular toda esse discurso de pai moderno, pois tem muita coisa assim na “webesfera”, e me concentrar em UM argumento exclusivamente. Na clássica distinção dos papéis psíquicos, o pai é aquela “cabra” que chega para separar a mãe do bebê. E ao fazer isso, ele quebra uma relação de dependência e mostra para os dois que existe um mundo separado deles, pronto para ser explorado com segurança e vivido plenamente com o mínimo de culpa possível.

Traduzindo esse “psicologuês”, o pai auxilia a mãe e o bebê a se tornarem independentes um do outro.

Portanto, mãe, se você também é pai, saiba que a sua função será importantíssima para que esta família encontre um caminho colorido, pois o seu filho ou filha não se identificará com a sexualidade do seu órgão reprodutor para ser mais homem ou mulher, mas com os comportamentos entre você e a sua parceira. Logo, também se sentirá seguro emocionalmente… confiando bastante nesse ambiente.

Nós, sem exceção, recebemos uma herança de nossos pais. A graça de crescer é dar ao que herdamos, um colorido especial, com a nossa cara. Então, deem a cara de vocês a sua família, permitindo que os seus filhos também façam isso com a vida deles, e porque não, com a continuidade da família que terão no futuro.

Afinal, a nossa imortalidade é dada pelo legado que deixamos.

Ficou curioso com essa última frase. Então não deixe de conferir o vídeo complementar a esse artigo: “Minhas mães e meu pai”.

Recapitulando

Neste artigo, você:

  • Compreendeu que a formação da família não é definida pelo sexo, mas pelos papéis e responsabilidades assumidos dentre quem criará os filhos.
  • Concluiu que os filhos possuem uma grande capacidade de adaptação, incluindo aquelas diante de variadas condições familiares.
  • Entendeu o papel do pai, seja ele do sexo masculino ou não.

Um forte abraço, e vida saudável e próspera para você.

Sobre o Autor
  • Rodrigo Moreira

    Rodrigo Moreira é pai do Gael, psicólogo e escritor. Também é pós-graduado em gestão de pessoas e especialista em aprendizagem de adultos. Natural de São Paulo, mora atualmente em Joinville-SC com a Cinthia, sua esposa. Estudioso da obra do pediatra e psicanalista inglês, Donald W. Winnicott, sobre o “desenvolvimento emocional do ser humano”, auxilia pais no dia a dia da criação de seus filhos. Inspirado pelos estudos e pela chegada de seu filhinho, criou, nas redes sociais, o "Naturalmente, pais", um espaço dedicado que se estende também ao "Licença Maternidade".

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