Procurar

O Casal após os filhos

Relacionamento, por si só, já é algo bem delicado. Com a chegada dos filhos, pode se tornar ainda mais, afinal, a nova família precisa a se reestruturar, redescobrir, se reinventar.

Olá!! Seja bem vindo a este espaço, meu nome é Juliana Caldeira, sou psicóloga, e trabalho como terapeuta de casais e famílias. É um prazer enorme estar aqui para falar para você deste tema tão importante, complexo e também tão delicado que são as mudanças na vida de um casal com a chegada dos filhos.

Para começar, vamos pensar que o ciclo de vida de uma família possui várias fases diferentes e ao longo dessa caminhada, essa família precisará se rever, se reinventar, se readequar continuamente, em especial nos momentos de grande transição.

A relação do casal com a entrada dos filhos também vai sofrer diversas mudanças, transformações e os parceiros vão se deparando com a necessidade de fazer revisões e realizar adaptações em sua relação. Esse momento é na realidade, uma transformação na identidade de toda a família, pois estamos falando de uma grande mudança, complexa e estrutural. E como tudo que é transformador nessa vida, tem suas dores, suas delícias, seus ganhos e suas perdas.

Será que uma família com bebês vive a mesma realidade que uma família com filhos pequenos ou outra com filhos adolescentes?

Podemos afirmar que as necessidades vão mudando, as visões vão se transformando. Mas e o casal como fica nessa história toda?

Para começar vamos ter que pensar que estes parceiros precisam colocar em cena duas habilidades que são muito importantes na vida do casal: a comunicação e a negociação. Se os parceiros não tiverem desenvolvido essas habilidades tão próprias da função de casal, precisarão buscá-las para conseguir equilibrar e conciliar o casamento com as funções de pai e mãe.

A chegada de um filho numa família também vai demandar dos parceiros que eles aprendam a priorizar a sua relação, oferecendo um investimento maior do que talvez já fizesse antes da chegada dos filhos. Como assim?

Deixa-me contar uma história para vocês! Sempre sonhei morar em uma casa com jardins lindos, com plantas bem cuidadas, floridas e verdinhas e atualmente, estou tendo a oportunidade de realizar este meu desejo. Estou morando em um espaço cheio de plantas e com muito verde, como sempre quis. Quando idealizava meu jardim, imaginei que tudo isso demandaria um cuidado, lógico, mas nunca mensurei isso, imaginava que molhar as plantas, mantê-las aparadas, ia sempre mantê-las lindas. Hoje vivendo esta realidade, vejo o quanto que para as minhas plantas estarem saudáveis e verdinhas, eu e meu marido, ´´cortamos um dobrado“ como dizem aqui na minha terra. Elas demandam um investimento muito mais alto do que eu sequer imaginava. Precisamos molhar, podar, rastelar, trocar sua terra de vez em quando, colocar alguns nutrientes nessa terra, conhecer das necessidades específicas de cada planta, quantas vezes cada tipo precisa ser molhada, se gostam de sol ou não, dentre outras coisas. É exatamente o mesmo com o casal.

E esse cuidado deve ser constante, em alguns pontos diários, feitos em equipe, com cada um fazendo sua parte, uns dias um faz mais e outro menos, tem dias que não estamos querendo mexer com nada, mas precisamos fazer, porque ele é nosso e ninguém pode fazer por nós, entende? É nossa responsabilidade! Podemos ter jardineiros que nos ajudam, mas o comprometimento em manter aquele jardim bonito, saudável, com plantas vivas e bem cuidadas é nosso e de mais ninguém. Entendeu o que quero te dizer?

Quando casamos também não temos noção de tudo que aquela relação precisará ao longo do tempo para manter-se viva. A relação do casal é como a planta que para estar saudável e conseguir atravessar todas as estações, precisará de cuidados específicos e constantes, podas, às vezes até de transplantar algumas coisas de lugar, nutrição diária, senão perde a vitalidade e morre. Relacionamento é muito bom, gostoso, mas também dá trabalho, exige entrega, disposição, comprometimento, e persistência.

O casal, com a chegada dos filhos precisará de muito mais jogo de cintura e comprometimento com a relação para conseguir dedicar tempo e investir na relação. Investimento emocional para preservar a relação, de cuidado e proteção. Porque falo isso? Porque essa é uma das grandes falhas (se é que posso chamar assim) que os parceiros cometem com a chegada dos filhos e as mudanças e adequações que essa transição acarreta.

A tendência é que os parceiros vão deixando a relação de lado, em meio aos necessários ajustes que são feitos e as tarefas do dia a dia, acreditando que o amor, o sentimento que um tem pelo outro, por si só, fará a relação dar certo e a coisa não é bem assim! Conheço diversos casais que se separaram e não conseguiram sustentar a relação, mesmo se gostando muito, aposto que você também deve se lembrar de alguns.

Para dar certo precisamos fazer dar certo, e para isso precisamos priorizar, nutrir!

Assim como os parceiros devem investir em momentos para os filhos, e para si próprios, também precisam investir tempo no relacionamento. Sempre falo que casamento é tarefa para adultos, pois não existe nenhuma relação na vida que nos faça crescer tanto.

O relacionamento exigirá por parte dos parceiros, um amadurecimento emocional, tomadas de decisão, capacidade de negociação, de flexibilização, de humildade para o aprendizado, de reconhecimento das suas próprias parcelas de contribuição nas dificuldades e conflitos, principalmente quando chega o filho.

E sempre gosto de lembrar os casais que filho não é de pai e mãe, filho é nosso um tempo, depois eles crescem e vão embora cuidar da vida deles e quem é que fica? O casal!

Se ao longo desses anos, os parceiros não se dedicam e investem nessa relação, não evoluindo na sua intimidade e em seus projetos em comum, quando os filhos saírem eles se olharão como dois estranhos, pois só viveram como pai e mãe e não se construíram como casal.

Isso tudo faz sentido para você?

Provavelmente você deve estar se perguntando “Mas então, o que eu devo fazer para manter um bom relacionamento após a chegada dos filhos?” Bom, vou te dar esta resposta, mas será no próximo artigo! 😉

Resumindo:

Não deixe de cuidar, ivestir tempo (lembrando que tempo na nossa cultura acelerada vale ouro) com sua relação, aprenda a priorizá-la também!

Lembre-se que amor não é só sentimento, é decisão, envolve paciência e persistência.

Em nossa cultura, onde tudo é efêmero, rápido, transitório, ter uma relação duradoura muitas vezes é remar contra a maré.

Até o próximo conteúdo, aguarde, pois virá algo muito especial para você!

Sobre o Autor
  • Juliana Caldeira

    Juliana é graduada em Psicologia, e especialista em terapia de família e de casal na abordagem sistêmica. Desde o início já havia escolhido trabalhar com o universo de casais, famílias e tudo que o envolve e o cerca. Desta paixão nasceu o ReInventar Se Espaço Sistêmico, espaço por enquanto virtual, onde idealizou os projetos ReInventar-Se Família, ReInventar-Se Mulher e o Programa Família Gestante, de Pré-natal psicológico e nutricional para famílias gestantes em parceria com equipe multidisciplinar da Clínica Gestar.

Compartilhar Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google+ Compartilhar no Pinterest
Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você também vai gostar

Continuar Lendo

Jogos: benefícios na cognição e criatividade

Jogos trazem diversos benefícios para as crianças, além de desenvolver também a cognição e criatividade. Uma excelente opção é criar e inventar jogos juntamente com eles, e se você se considera uma pessoa sem criatividade para isso, nós vamos te ajudar. Aqui você encontrará algumas opções fáceis de fazer, com baixíssimo custo e bem interessantes.

NewsLetter

Você gestante, tentante ou simplesmente apaixonada pelo universo da maternidade? Então se inscreva aqui e receba gratuitamente nosso melhor conteúdo, preparado especialmente para você.

Licença Maternidade