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Desafios diários na alergia alimentar – Entrevista com a equipe do Põe no Rótulo

Quem convive com crianças alérgicas, sabe bem das dificuldades que encontramos no dia a dia com relação a alimentação, ou falta de informação adequada nos rótulos de produtos industrializados. Para isso, tivemos a participação da equipe do Põe do Rótulo, que prontamente nos respondeu estas perguntas, e contribuiu para mais um conteúdo especial!

Você que é pai ou mãe, mas não tem nenhum familiar com alergia alimentar, provavelmente já ouviu falar da campanha “Põe no Rótulo”, e mesmo que não tenha essa vivência direta, sugiro que leia a entrevista até o fim, pois se um dia você cruzar seu caminho com alguma pessoa com alergia alimentar, entenderá melhor sobre as necessidades dela.

E se você tem um alérgico na família, não tenho dúvida que conhece pelo menos um pouco deste trabalho lindo que vem sendo feito em prol de tantas famílias! Em 2014, um grupo de mães de crianças alérgicas resolveu se unir para lutar pelos direitos das crianças que passam por algum tipo de restrição devido a alergia alimentar, foi aí que surgiu a equipe que em pouco tempo, conseguiu grandes avanços para a legislação brasileira, quando o assunto é informação precisa, simples e direta, sobre alergênicos em alimentos.

Quero deixar aqui registrada minha imensa gratidão a toda equipe do Põe no Rótulo, desta vez representada pela Cecília Cury, pela sua receptividade, e mais ainda, por responder as perguntas mesmo diante de toda a correria de final de ano, e os compromissos que elas certamente já tinham! É um prazer para nós poder divulgar um trabalho tão lindo e importante quando o que vocês vem desempenhando desde o início de 2014. Eu, como mãe de criança que teve APLV (Alergia a proteína do leite de vaca), garanto que se a resolução já estivesse em vigor na época que eu precisei fazer a dieta para amamentar minha filha, teria sido muito mais fácil, e menos amedrontador! Parabéns por este belo trabalho, e novamente, obrigada por nos passar tanta informação de qualidade. Agora, vamos a entrevista:

1. Para quem não está bem inteirado do assunto, porque é tão importante uma iniciativa como essa das mães do Põe no Rótulo, em fazer com que as informações sobre possíveis alergênicos realmente apareçam nos rótulos dos produtos?

Para a comunidades de alérgicos a alimentos, a conquista da legislação de rotulagem de alergênicos fomentada pelo Põe no Rótulo representa mais segurança e rapidez na hora das compras. Afinal, antes da aprovação da resolução RDC 26/15 pela Anvisa, os rótulos traziam ingredientes em letra quase ilegível, com palavras técnicas, de difícil compreensão e, agora, trazem as informações sobre os alergênicos presentes em caixa alta, negrito e em local visível, garantindo-se a legibilidade e a acessibilidade da informação.

Para a sociedade em geral, este processo representou um marco da participação social no processo de construção de uma legislação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com participação recorde da sociedade em todas as etapas, reforçando o papel da Anvisa na proteção do consumidor. Seria importante que a sociedade estivesse atenda aos temas em debate na Anvisa, afinal, os consumidores que são os destinatários dos rótulos e terão que conseguir ler e compreender o que lá está escrito.

2. O que mudou, desde que a resolução da Anvisa (RDC 26/2015) entrou em vigor?

Com a entrada da resolução RDC 26/15, os rótulos dos alimentos e bebidas passaram a estampar o destaque da presença dos principais alergênicos (leite, soja, ovo, trigo, oleaginosas, crustáceos e peixe) logo após a lista de ingredientes, em caixa alta, negrito, com letras em cor contrastante com a do fundo do rótulo.

Assim, quem convive com quem tem alergia alimentar tem encontrado mais facilmente as informações sobre a presença dos principais alergênicos ou em relação ao risco de alguma delas estar presente em razão do risco de contaminação cruzada ao longo da produção do alimento ou bebida.

Ainda há alguns produtos que não estão adequados em virtude de terem sido produzidos antes da entrada em vigor da legislação, que permite que permaneçam à venda até o fim de seu prazo de validade. Há também casos de produtos que, de modo irregular (ilegal, portanto), deixaram de atender à legislação, estando sujeitos às sanções previstas, que vão desde multa, passando pelo dever de recolher os produtos irregulares, dentre outras sanções.

3. Quais são as substâncias que os rótulos precisam informar?

4. Quais produtos, que são obrigados a ter estas informações?

Alimentos e bebidas embalados na ausência do consumidor, isto é, basicamente os produtos industrializados. O Põe no Rótulo tem alertado a Anvisa sobre a importância de se ampliar esta importante conquista a outros produtos, como medicamentos, cosméticos e produtos de higiene.

5. Só para deixar bem claro, caso alguém ainda esteja em dúvida, como que a presença dessas substâncias devem ser informadas aos consumidores?

6. E quando alguém perceber que não consta a informação, o que deve ser feito?

Caso o rótulo não indique os principais alergênicos, o consumidor pode encaminhar mensagem à Ouvidoria da Anvisa (ouvidoria@anvisa.gov.br), procurar pela Vigilância Sanitária de sua cidade, PROCON ou o Ministério Público.

7. E por fim, o que as pessoas que não convivem ou conviveram com crianças alérgicas, deveriam saber sobre alergia alimentar?

Se tivesse uma frase que explicasse bem o que é alergia, seria: “alergia alimentar não é frescura e nem opção, mas uma condição que exige constante cuidado com os alimentos”. Com isso, para além da questão de se identificar produtos seguros nos mercados e receitas alternativas, há uma série de desafios na vida social, desde a integração na escola, passando pelas festas de família e de coleguinhas, viagens e até mesmo em alguns serviços de saúde, onde temos visto vários casos de erros na hora em que chega a alimentação para a pessoa com alergia alimentar.

No caso de alergia a proteína do leite de vaca (APLV), há ainda que confunda com intolerância à lactose, que não tem nada a ver com alergia. No caso da alergia, a pessoa não pode consumir nenhum produto feito com leite, independentemente do tipo de leite, ao passo que alguns intolerantes à lactose podem consumir produtos a base de leite que tenham a lactose reduzida ou eliminada durante o processo ou pela ação de enzima adicionada ao produto (a lactase).

Para concluir:

Quem convive ou conviveu com a alergia alimentar, entende bem dos desafios e dificuldades que é lidar com isso dia após dia. Sem falar da dificuldade que é conscientizar as pessoas da importância sobre os cuidados dessas crianças, pois infelizmente, muita gente ainda acredita que isso é frescura, e que não tem necessidade de tanto “exagero” e cuidado, as vezes essa falta de apoio vem da própria família, que teoricamente são pessoas que deveriam auxiliar e não dificultar ainda mais as coisas. Sem esquecer de mencionar os próprios profissionais de saúde e educadores, que nem sempre sabem da diferença básica entre alergias e intolerâncias, ou ainda, acreditam que não é necessário tanta atenção! Se você é familiar de criança com alergia alimentar, conta pra gente, quais dificuldades tem enfrentado com relação a falta de informação adequada em produtos de uma forma geral? Ou os desafios seriam em conscientizar familiares e até mesmo profissionais sobre a alergia?

Novamente, agradecemos ao Põe no Rótulo por informações tão claras como estas dadas acima. Para acompanhar melhor este belo trabalho, basta acessar o site www.poenorotulo.com.br ou a página no facebook: www.facebook.com/poenorotulo/

Um abraço, e nos vemos em uma próxima entrevista ou artigo! 😉

Sobre o Autor
  • Ana Paula Petry

    Mãe do Pietro e da Laura, Psicóloga, Coach de mães, idealizadora do Gestando e Aprendendo, extremamente apaixonada e encantada pelo universo da maternagem, e agora, editora do Licença Maternidade. Ana Paula atua com psicoterapia, rodas de conversa, grupos de apoio emocional, workshops, cursos de pais e gestantes, coaching individual e em grupo, tudo voltado para mães.

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