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Manual da febre: tudo o que você precisa saber!

Se tem algo que angustia os pais, indiferente da idade dos filhos, é lidar com a febre. Muitas vezes temos dificuldade em controlar e baixar a temperatura da criança, sem falar que nem sempre sabemos quando realmente é necessário buscar ajuda médica. Por isso, com a ajuda do Dr. Evandro Amorim - pediatra, criamos este manual para te auxiliar a lidar com estes momentos!

Se tem algo que angustia – e muito – os pais, indiferente da idade dos filhos, é lidar com a febre. Até porque, muitas vezes temos alguma dificuldade em controlar e baixar a temperatura da criança, sem falar que nem sempre sabemos quando realmente é necessário, por exemplo, ir ao hospital ou a consulta médica, por causa da mesma. Além dos diversos mitos que cercam este tema, e a insegurança e medo dos pais em fazer algo errado nessas horas. Por isso, com a ajuda do nosso parceiro de conteúdo, Dr. Evandro Amorim – pediatra, criamos este manual da febre, para auxiliar você a lidar com os momentos em que tiver que encarar isso na vida do seu filho. Então, vamos lá!

1 – Qual é a temperatura considerada febre, em crianças?

Apesar de divergir na literatura, de modo geral consideramos febre a temperatura axilar acima de 37,8ºC associada ou não a outros sintomas como tremores, sudorese e extremidades frias.

2 – Porque a febre aparece? O que ela representa?

Febre não é emergência e nem doença, mas uma resposta saudável e esperada do sistema imunológico frente a um agente agressor (seja ele vírus ou bactéria). A elevação da temperatura corporal contribui para a liberação de diversas citocinas inflamatórias (sinalizações entre as células), importantes para a resolução do processo infeccioso ou inflamatório. O organismo eleva a temperatura corporal, pois assim, esses agentes invasores não sobrevivem.

3 – Após constatada a febre, o que deve ser feito? Sempre é necessário medicar?

Quando medicamos sem necessidade, apenas interferimos nesse processo de auto-cura do organismo e prolongamos o período de doença. Então, quando medicar? Diante de febre, mais do que se fixar em valores, observe seu filho. Medicina não é baseada em números apenas. Seu filho está ativo, brincando, tranquilo? Observe. Deixe que o processo de auto-cura da criança se estabeleça.
Ele está choroso, irritado, incomodado? Talvez seja necessário medicá-lo, uma vez que apesar do seu organismo estar respondendo a uma infecção, os sintomas o deixam extremamente incomodado.

4 – Em quanto tempo a febre deve baixar após o uso do medicamento?

Quando medicada, a criança pode demorar a ceder a temperatura (as vezes mais de uma hora). Além disso, nem sempre há uma normalização dos valores, apenas uma redução. O objetivo do medicamento não é “sumir” com a febre em si, mas diminuir o desconforto causado na criança. Apesar de ser comum a prática de “intercalar” remédios de febre em momentos que a febre é difícil ceder, essa prática não mostra benefícios nos estudos, devendo ser discutida sempre com seu pediatra.

5 – Que outras alternativas pode haver, além da medicação?

Compressas e banhos mornos podem auxiliar a diminuir o desconforto, e também a febre. Mas por favor, NÃO utilize álcool para estes fins, a pele da criança o absorve rapidamente podendo haver toxicidade.

6 – Se estiver com febre, devo deixar que ela fique coberta e agasalhada? Ou melhor deixa-la mais fresquinha, mesmo sentindo frio?

Durante a febre, não se deve agasalhar, e sim a criança com roupas leves para que o excesso de calor seja eliminado ao invés de mantido pelo excesso de roupa ou cobertas!

7 – Quando é importante procurar o médico?

Nas primeiras 24h de um quadro febril, na maioria das vezes o exame físico é normal e exames laboratoriais quando coletados não mostram alterações! Por isso que nós pediatras temos a “mania” de orientar reavaliar em 24 ou 48h. Ao iniciar febre, observe outros sinais e sintomas. Contate seu pediatra para uma avaliação dentro de 48h do quadro idealmente, desde que sem sinais de alerta: prostração intensa, febre maior que 39 e mantida, não estar ingerindo líquidos ou vômitos frequentes. Mais do que simplesmente medicar, aprenda a observar, ver se há outros sintomas associados, e saber quando intervir!

Importante: Lactentes menores de 3 meses devem ser avaliados antes, já que o processo infeccioso evolui mais rápido nessa fase.

8 – Qual o melhor termômetro a ser utilizado, na hora de medir a temperatura da criança?

Termômetros de mercúrio são mais fidedignos, porém, não mais comercializados pelo risco de contaminação do meio ambiente. A melhor opção são os digitais (culturalmente usados na axila no Brasil; retal ou oral em diversos outros países). Termômetros digitais de testa ou ouvido são opções secundárias, não validados.

9 – E quanto a convulsão febril?

O maior medo dos pais em relação à febre são as crises convulsivas febris, no entanto, elas ocorrem em menos de 3% dos casos, não deixam sequelas e não estão sempre relacionadas com o valor elevado da temperatura. No caso dessas crianças, devem ser acompanhadas e avaliadas por neuropediatra para decidir se há necessidade de investigação e medicações preventivas específicas.

10 – E se eu presenciar uma convulsão febril, o que eu devo fazer na hora que isto acontecer?

Em casos de convulsão febril, é importante colocar a criança deitada de lado em um local macio; após a crise deve-se levar para ser avaliada no Pronto Atendimento. As crises costumam levar segundos.

________________________

Desejamos que este manual seja muito útil, e te auxilie a lidar com os momentos de febre das crianças de forma mais leve, tranquila, e menos preocupante. Lembre-se que sempre, o mais importante a observar não é apenas o valor da temperatura, e sim todos os outros sinais e sintomas associados, isso vale muito e vai te auxiliar a tomar decisões mais adequadas nas próximas vezes! E claro, na duvida, procure o seu pediatra. 😉

Sobre o Autor
  • Evandro Amorim

    Graduado em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, apaixonado pelo universo materno-infantil, optou precocemente por fazer pediatria. Realizou residência médica em Pediatria pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Pós-graduado em medicina do Exercício e Esporte, atualmente cursa outra pós graduação: Homeopatia pela Escola Homeopática de Curitiba. Concentra suas atividades em consultório privado e escrevendo para blogs e redes sociais. O foco do seu trabalho é uma pediatria integrada, lançando mão de terapêuticas naturais e menos invasivas.

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Comentários
  • Muryelle - 06/01/2018

    A minha filha tem 4 anos. Em setembro teve febre 1 dia. No outro a garganta amanheceu inflamada!Não teve mais febre. Antibiótico. Outubro, 1 mês depois, febre que durou mais de 3 dias. Sinusite e tosse. Antibiótico. Novembro, febre 1 dia, não dei nada, tosse e gripe forte. Dezembro não teve nada. Ontem, janeiro, febre alta, apenas antitérmico e hj tá boa... o que fazer? Preciso me preocupar?

    Responder
  • Suelen Dirce da Silva Barcelo - 05/01/2018

    Perfeito! Tenho aprendido muito com as dicas do Dr. Evandro Amorim, assim não há uma necessidade de estar levando a criança por qualquer motivo ao hospital. Parabéns!!

    Responder
  • Deyvson Ramos - 05/01/2018

    Excelente dica. Dr. Evandro, grande profissional que tenho a honra de contar com a assessoria médica. Parabéns!

    Responder

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