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Meu filho “não come” – seletividade alimentar. Acontece na sua casa?

Como é difícil quando nossos filhos que comiam de tudo e em grande quantidade, passam a recusar diversos alimentos, e de repente, não querem mais comer quase nada. Se você está passando por isso, este artigo foi feito especialmente para te ajudar nesses momentos.

Após a introdução alimentar, com 6 meses, evoluindo até 1 ano de idade, alguns desafios podem surgir: Um deles é quando uma criança não come ou torna-se muito seletiva.

Entre as queixas mais comuns no consultório, esta é uma delas: “Ah meu filho comia de tudo, agora só come 2 ou 3 alimentos e sempre quer a mesma coisa”. Se você parar pra pensar, provavelmente vai lembrar de alguma família que também passa por este tipo de desafio.

Sugiro que façamos uma pausa antes de continuar o assunto, para entender um pouco mais sobre o desenvolvimento da criança. É importante lembrar que entre o nascimento, até completar 1 ano de idade, a criança aumenta seu peso em média 3x, e após este período, ela começa a realizar outras atividades como engatinhar, andar, interagir, portanto, esse aumento de peso será menos acelerado, em média 2 kg por ano. E é exatamente aí, onde vejo com frequência, que alguns pais tem a expectativa de que a criança vai continuar comendo as mesmas quantidades do primeiro ano de vida.

Lembre-se: ela realmente comerá menos. Compreender isso é importante para, não perder o foco, não compensar com doces e alimentos não saudáveis apenas para criança comer mais e sem qualidade, os quais muitas vezes viciam o paladar de crianças com menos de 2 anos. Então nada de oferecer açúcar para menores de 2 anos, conforme recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Caso seu filho já esteja com seletividade, precisamos observar o ambiente familiar, como estão acontecendo os momentos das refeições, e observar o que seu filho ou filha tem escolhido para comer. Que textura tem esse alimento? Que sabor? Qual a cor? É um alimento rico em carboidrato, gordura, açúcar? Sal? Teria como reproduzir essa mesma sensação com algum alimento saudável?

Além disso, temos outras questões a serem observadas. Quanto que você, que alimenta esta criança, está contribuindo para a seletividade alimentar dela? Você já se perguntou isso? Pode parecer estranho pensar assim, mas veja bem, se por algum motivo a criança não come, e você, provavelmente por pena, acaba dando uma “besteirinha” pra ela depois com o intuito de não permitir que ela passe fome, você está ensinando que ela não precisa comer o alimento oferecido primeiro, e isso vai se repetir várias e várias vezes. Ou, se você sabe que ela come só arroz, frango e cenoura, e toda refeição você oferecer somente estes três alimentos, é sempre isso que ela vai querer, porque não terá nem a oportunidade de experimentar novamente, outras possibilidades.

Quando nós adultos temos vontade de beliscar doces ou salgadinhos, isso não é fome, é vontade de comer, e assim é com nossos filhos. E isso pode significar ansiedade, ou outra emoção que está sendo compensada com o alimento desde cedo. Quando sentimos fome mesmo, queremos comida, um bife, ou um prato de arroz e feijão, batata, ovos, enfim.

Portanto, no “jogo da alimentação” se o seu filho se nega a comer a comida da refeição que está na mesa e depois ele quer outro alimento, pode ser apenas vontade de uma guloseima, como um iogurte ou bolachinha. E nesse momento falar para a criança que ela precisa comer o almoço, é fundamental.

Se a criança estiver com fome, ela vai escolher alguma opção daquelas que estão a mesa, se ela não estiver com fome, ela não precisa comer. Respeitar o ritmo do corpo da criança é saúde. Lembre do que mencionamos lá no início do texto, muitas vezes as expectativas da família, é que estão acima do que a criança realmente sente em relação a sua fome. Por isso, respeite-a caso ela não queira comer muito, ou não esteja com fome.

Quando um paladar infantil é mais voltado aos açúcares e industrializados, precisamos começar aos poucos, substituindo ingredientes, com calma, para a criança não perder o interesse por comida. Alimentos pobres em nutrientes, quando surgem em casa, devem ser consumidos longe das refeições principais, e isso precisa ser regra para todos da casa.

Outra dica que sempre dá muito certo, é envolver a criança na compra e preparo dos alimentos. Ir à feira, supermercado, comprar livrinho de receitas lúdicas, todo o envolvimento da criança é muito bem-vindo.

Saber dizer não também é importante. Dizer não quando o comer está compulsivo, com vontades e não necessidades. Diga não e a acolha. Provavelmente ela se sentirá triste, chateada ou irritada, mas nada que muito carinho e paciência não resolvam neste aspecto. Não traga explicações muito racionais. Deixe ela tranquila e acolha com amor.

Uma vez que ela é acolhida incondicionalmente até o momento que ela se acalmou, ela geralmente muda de foco e sai da cena segura de que tem um adulto amoroso responsável por ela.

Comer bem não é comer tudo, é comer o suficiente, e escolher bons alimentos. Por que achamos que a criança deve comer só mais uma colher? Só mais um pouquinho? Para ficar forte? Para ficar inteligente? Para ficar igual ao amigo? Para o papai não brigar? Só para crescer?

IMPORTANTE LEMBRAR

Ensine educação nutricional às crianças, que comer é comer o suficiente, sem a barriga doer, que comer é com calma, é tranquilo. Que comer é sentindo o que está fazendo o bem para o corpo. Precisamos ensinar a criança a se conhecer, e desenvolver o respeito pelo seu corpo.

Crianças comem mais quando estão em pico de crescimento. Variações de apetite são normais. É importante comer conectado com sua necessidade. Assim torna-se um adulto que come apenas o que precisa.

Portanto nada de ficar dando recompensas não saudáveis, para a criança que comer toda a comida do prato, isso está ensinando ela “suportar uma comida saudável”.

A educação nutricional com nossos filhos, a criação deles requer conexão, amor, paciência. Comer é bom, deve ser agradável, leve, unindo as famílias a mesa, agradecendo ao alimento. Com isso, estaremos cuidando da nova geração de adultos. Afinal, as escolhas que fizermos por eles hoje, influenciarão na saúde deles amanhã!

Sobre o Autor
  • Carolina Theilacker Sommerfeld

    Carolina é mãe do Johann, nutricionista materno infantil, e coach de saúde. Desde a maternidade coloca em prática todas as teorias que leu e aprendeu. Atua com consultório em Itajaí e também realiza cursos práticos de gestantes, introdução alimentar e lanches saudáveis para crianças.

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